Cultura

Adriano Imperador fala sobre saúde mental e polêmicas: “Todo mundo erra”

manuelsumbo
Jul 22, 2022

Adriano Imperador falou sobre os problemas que o tiraram de campo após a morte do pai, em 2004, em pleno auge da carreira.

O ex-jogador acaba de lançar a série documental “Adriano Imperador”, na qual aborda as principais questões que marcaram sua trajectória dentro e fora de campo.

Além do assunto futebol, o ex-atleta de 40 anos falou sobre a percepção que tiveram sobre sua postura após a morte do pai, Almir, vítima de um infarto aos 44 anos. Adriano entrou em depressão, começou a beber e seu rendimento em campo caiu.

“As pessoas não vêem o jogador de futebol como alguém normal. Na minha época, quando aconteceu comigo, foi mais pesado [o tratamento das pessoas]. A gente precisa aprender a compreender uma pessoa, cada um passa por uma dificuldade”, ponderou Adriano.

O jogador chegou a declarar que ia deixar o futebol, aos 27 anos, e em dado momento ficou tão isolado na Vila Cruzeiro, comunidade onde nasceu, no Rio de Janeiro. Na época, chegaram a cogitar que ele havia sido sequestrado e até morto.

“Naquela época eu decidi fazer aquilo tudo porque eu não estava legal. Tanto que ganhava um monte de dinheiro e nem por isso eu falei ‘dane-se’ e continuei a ganhar dinheiro. Porque eu aprendi com a minha família que isso era errado”, afirma.

Ele deixou a Inter, na Itália, e não voltou mais. O então presidente do clube, Massimo Moratti, que dá seu depoimento na série, compreendeu o atacante e o deixou ir, sem cobrar multa.

‘Eu sabia que se não fizesse da forma que eu fiz, ele não ia me liberar. Ele não queria que eu ficasse [no Brasil]. A decisão que eu tomei foi a melhor que eu pude naquele momento – e o Moratti podia fazer eu pagar uma multa milionária e não foi dessa forma”, lembra.

Questionado sobre as atitudes recentes de atletas que estavam a lidar com problemas de saúde mental, como Simone Biles, ginasta americana, Adriano reforça que é preciso ter compreensão com o estado emocional de cada um.

“As pessoas têm que entender mais esse lado do ser humano”, ponderou, lembrando que cada um lida com sua dor de um jeito e as maneiras que ele tinha para isso foram as que estavam a seu alcance. “Todo mundo erra e a gente tem que dar a chance de melhorar”.