Cultura

Artistas lamentam qualidade das artes cénicas no Cuanza-Norte

armandomaquengo
Set 03, 2022

A baixa qualidade dos espectáculos de teatro no Cuanza-Norte tem a ver com a falta de salas de espectáculo adequadas, com som e luz, formação dos actores na área de encenação e apoio aos grupos locais, o que tem levado muitos criadores a migrarem para outras regiões, à procura de melhores condições de trabalho.

A afirmação, segundo avança JA é de alguns responsáveis de grupos de teatro no Cuanza-Norte, que em declarações ao Jornal de Angola, foram unânimes em dizer que as artes cénicas na província “vão de mal a pior”,  uma vez que dia após dia os grupos vão diminuindo o número de integrantes.

De acordo com a coordenadora do grupo de teatro “Kala Ukimona”, Beatriz Brandão Manuel, a nível da província, as maiores dificuldades dos fazedores de teatro prendem-se com a falta de espaços para ensaios e actuação e a ausência de incentivo dos potenciais investidores do ramo da cultura.

Beatriz Brandão Manuel classifica a situação do teatro na província como péssima, em função da desestruturação de vários grupos, por falta de patrocínios  e de receitas para desenvolver os seus projectos artísticos.

A falta de interacção, diálogo entre as direcções dos grupos de teatro e o Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, de acordo com a coordenadora tem contribuído negativamente para o actual estado em que se encontra o teatro no Cuanza-Norte.

Apesar da situação, realça, os espectáculos realizados têm sido da responsabilidade dos próprios grupos, que investem valores mas sem qualquer retorno.

Segundo a coordenadora do grupo “Kala Ukimona”, na única sala onde se realizam exibições de espectáculos de teatro, o Cine Ndalatando, paga-se  por cada actividade 15 mil kwanzas, acrescido a outros gastos com a feitura dos dísticos publicitários, que ronda os 20 mil kwanzas. “O que gastamos muitas vezes é maior do que aquilo que ganhamos por cada espectáculo”, desabafou.

O “Kala Ukimona” existe há mais de 12 anos, na altura com mais de 15 integrantes, hoje está reduzido a cinco, por razões diversas. Já participou num Festival Nacional de Teatro em Luanda, onde obtiveram o quarto  lugar.

Grupo Nzinga Mbandi

O fundador do grupo de teatro e dança “Nzinga Mbandi”, Arsénio Luís João Neto, disse que o desinteresse dos actores pelo teatro no Cuanza-Norte, o colectivo fundado, em 2005, com 30 elementos, conta actualmente com apenas oito integrantes.

Arsénio João Neto recorda que há cinco anos, para além de actuarem em vários municípios do Cuanza-Norte, chegaram a exibir algumas peças de teatro, na vizinha província do Uíge.

O responsável do “Nzinga Mbandi” revelou que por vários motivos  alguns dos seus membros desistiram do grupo para abraçarem outras tarefas mais rentáveis, uma vez que necessitavam de rendimentos para o sustento das famílias.

Acrescentou que nunca recebeu apoios do Gabinete da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, assim como patrocínios de qualquer empresa ou instituição da província, tendo apelado às autoridades locais a demonstrarem maior interesse na cultura nacional, em geral, e nas artes cénicas, em particular, por forma a ajudar o desenvolvimento do país.