Saúde

Aumento de casos de hipertensão arterial exige mais cardiologistas

armandomaquengo
Out 04, 2022

O país tem apenas cerca de 300 especialistas em Cardiologia, inscritos na Ordem dos Médicos, número que o presidente da Sociedade Angolana de Doenças Cardiovasculares e Hipertensão, Gade Miguel, considerou insuficiente para atender os mais de 30 milhões de habitantes do país, dos quais muitos com problemas de hipertensão arterial.

Para minimizar a situação, Gade Miguel defende que, no mínimo, em função do número da sua população, o país tinha de trabalhar no sentido de que cada cardiologista atendesse mil habitantes.

“Mesmo este número seria demais para cada especialista, mas ajudava muito na melhoria do atendimento dos que acorrem aos cuidados de cardiologistas”, realçou o médico.

O presidente da Sociedade disse ser urgente que se mude este quadro de escassez de médicos cardiologistas, principalmente, numa altura em que o país continua a registar uma incidência elevada de casos de hipertensão arterial, um dos princípios factores de risco das doenças cardiovasculares.

Gade Miguel sublinhou que já houve épocas piores, porque contavam-se as províncias onde havia cardiologistas. Este cenário alterou-se significativamente, com a formação de vários médicos no exterior e pela abertura localmente de internatos de especialidade, que permitiu que cada hospital central nas províncias tenha dois ou mais cardiologistas.

O médico salientou que, actualmente, decorrem no país três internatos de cardiologia nas províncias de Luanda, Benguela e Huambo. Com isso, dentro de mais alguns anos, o número de cardiologistas vai aumentar consideravelmente.

Sobre a questão do Transplante de Órgãos, e, em particular, do coração, Gade Miguel afirmou que a lei foi aprovada tardiamente, mas é bem-vinda, principalmente porque existem pacientes que a sua sobrevivência depende desta operação.

Por exemplo, avançou que em dez pacientes com problemas cardíacos, pelo menos dois são candidatos ao transplante.

Em função disso, a materialização da aprovação da lei sobre os transplantes começa a ser cada vez mais urgente. Por isso, realçou a necessidade da criação de comissões de transplantes de vários órgãos, para discutir as questões da legislação, éticas e deontológicas, mas sempre em respeito aos aspectos culturais, por ser algo que a população não está habituada.

No Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, aparecem, semanalmente, entre dois a três casos de candidatos ao transplante cardíaco.

Por isso, o chefe de Serviço Cardiovascular e do Tórax do referido complexo clínico, Valdano Manuel, reforçou a necessidade urgente da realização de transplantes de órgãos em particular do coração a nível do país.

O médico referiu que estes são pacientes com fracção de injecção cardíaca muito baixa (capacidade que o coração tem de injectar sangue para todo o corpo, cerca de 20%. Nesses pacientes, o transplante é a única solução para que possam sobreviver por mais tempo e com qualidade.

Valdano Manuel considerou que o transplante cardíaco deve ser sempre o fim da linha de tratamentos para os pacientes que padecem de doenças do coração e não a primeira opção, por ser um processo moroso e muito complexo.

JA