Economia

Aumento dos juros na Europa e nos EUA vão encarecer as importações angolanas

armandomaquengo
Jun 21, 2022

A culpa é da inflação que obrigou os Bancos Centrais da Europa e dos EUA a elevarem as taxas de juros de referência. Na visão dos economistas angolanos, o BNA deverá controlar com bastante prudência a inflação e a manutenção do nível das Reservas Internacionais Líquidas.

O aumento das taxas de juros na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA) vão encarecer as importações angolanas, defendem economistas consultados pelo Mercado.

A reacção dos economistas surge em função do aumento das taxas anunciadas pelas duas entidades máximas de condução de política monetária a nível mundial. A Reserva Federal dos EUA (Fed) elevou, recentemente, o intervalo da taxa directora em 0,75 ponto percentual, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) avançou com medidas de mitigação para evitar uma crise da dívida, com previsão de aumentar as taxas a partir de Julho.

“Se a estrutura de preços e custo de produção nos mercados bolsistas se alterarem, as futuras operações terão o impacto do ajustamento de preços feito ao nível mundial, logo, o nosso IPC, sobretudo, na classe de Alimentação e Bebidas não Alcoólicas terá uma maior contribuição na inflação. E a própria Reserva Estratégica Alimentar que o Executivo criou (para suavizar a alta de preços) também sofrerá as consequências”, disse o economista e pesquisador, Porfírio Muacassange.

“Queremos aqui informar que se a situação de conflito prevalecer, teremos aqui um efeito de transmissão para a nossa economia, ou seja, inflação importada”, alerta o economista.

Segundo Muacassange, o Banco Nacional de Angola (BNA) tem responsabilidade acrescida, pois “deverá controlar com bastante prudência a inflação”, olhando sempre para o objectivo estipulado da meta de inflação e a manutenção do nível das reservas internacionais líquidas (RIL) com base no limite estabelecido pela SADC e no Programa de Estabilidade Macroeconómica, compaginado com os compromissos do FMI.

O economista e docente Daniel Sapateiro perfilha o pensamento de Muacassange, defendendo que estas medidas trarão consequências na importação das matérias.

“Em Angola terá impacto na importação de matérias-primas, mercadorias e equipamentos por via da inflação importada. Além disso, se se mantiver a política monetária do BNA, de manter o Kwanza entre os 400 e 500 Kz para 1 USD, sendo que nas últimas semanas o Kwanza tem se desvalorizado face ao USD e ao EUR, as importações serão mais caras para as empresas e no final do dia serão os consumidores a pagar a factura, com todas as consequências para a população com tanta demanda”, defende Daniel Sapateiro.

De acordo com Daniel Sapateiro, o BNA deve saber gerir os melhores e maiores interesses das famílias, empresas e do Estado, no que tange às necessidades de consumo e produção nacional, e olhar também para as RIL, para manter a moeda nacional num patamar que possa ajudar a economia.

Para Francisco Paulo, economista e investigador do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola a questão da inflação no País é estrutural.

“Como as medidas estruturais nunca foram implementadas, por isso é que o BNA não tem solução para tudo, e isso só vai aumentar a taxa de inflação em Angola”, aponta.

O investigador do CEIC, disse ainda que a dívida que Angola vir a contrair (com novas emissões de Eurobonds) poderá encontrar taxas de juros elevadas, caso o País vá a endividamento externo.

Augusto Fernandes, economista e consultor, é da mesma opinião, ao dizer que “se levarmos em consideração o elevado stock de dívida pública angolana em moeda europeia, por um lado, o juro fixado com serviço da dívida pública no OGE 2022 tenderá a aumentar e, por outro lado, as importações angolanas estão inflacionadas”.