Politica

Bispos Católicos apelam à tolerância e fim de insultos durante campanha eleitoral

armandomaquengo
Jul 15, 2022

Os bispos católicos angolanos exortaram, nesta quinta-feira, os políticos a fazerem discursos que “elevem o patriotismo e a cidadania” e reiteraram a necessidade da “tolerância” e de “evitarem discursos insultuosos e incendiários, que tendem à banalização”, em ambiente eleitoral.

O apelo foi lançado pelo presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba , que discursava na abertura da segunda Assembleia Plenária da CEAST, que decorre até ao dia 21 deste mês.

Aquele responsável disse ser preciso que os políticos ” primem por discursos que despertem a nobreza do patriotismo, da cidadania, da harmonia e amizade social que garantam no povo acreditar num futuro melhor”.

O presidente da CEAST disse que as eleições são também “um momento de grande e grave responsabilidade” com o argumento de que mais uma vez será posta à prova a capacidade de mostrar que os angolanos “procuram ser verdadeiros irmãos uns dos outros”.

Reiterou, na sua intervenção, os apelos para a “elevação da tolerância, do respeito pelas instituições do Estado e pelas diferenças políticas e de se evitarem discursos insultuosos, difamatórios e incendiários que tendem à banalização, à ofensa, ao desrespeito da dignidade e do bom nome alheios e ao fanatismo cego e violento, para um ambiente eleitoral harmonioso”.

Pediu também aos fazedores de opinião e analistas a “controlarem mais as suas emoções” para se “evitar impelir os cidadãos a conclusões erradas contra terceiros”.

Para o líder da CEAST, as falsas notícias “não devem ser transformadas em arma de arremesso contra a honra alheia”, exortando os órgãos de informação, públicos e privados, a transformarem-se em “autênticas escolas para a vida, cidadania, liberdade, paz, unidade, fraternidade, justiça, ética e verdade”.

“Tenhamos sempre presente que a paz terrena nasce do amor ao próximo, absolutamente necessárias para a sua edificação é a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros e a prática assídua da fraternidade”, notou.

O também arcebispo de Saurimo defendeu igualmente a necessidade da “intensificação” de ações de educação cívica, sobretudo nas comunidades, no âmbito das eleições de agosto.

“E da sensibilização das consciências para o dever e a urgência de todos trabalharmos para a consolidação do bem, da paz, da democracia e do convívio salutar da nossa terra”, rematou José Manuel Imbamba.

Reacções

O líder do Observatório Político e Social (OPSA), Sérgio Calundungo, sustenta que a mensagem da Igreja Católica “chegou em boa hora” afirmando ser possível que “no afã de ganharem o eleitorado alguns partidos políticos utilizem a máxima segundo a qual os fins justificam os meios”.

“Eu acredito que se os políticos estiverem movidos de boa fé eles podem pensar que Angola é muito mais do que um único partido e que continuará a haver vida depois das eleições”, disse.

Para o jurista Vicente Pongolola, o apelo dos bispos católicos tem como principal destinatário o Presidente angolano, João Lourenço, a quem pede “moderação” nos seus discursos.

“Vezes há que ele não consegue divisar a linha entre ser Presidente do partido e ser Presidente da República”, defende o analista, para quem “os discursos de João Lourenço “não orgulham os próprios militantes do seu partido”.

“Ele tinha que ter um discurso congregador independentemente de ele estar a concorrer também porque o discurso musculado já não ajuda ”, afirmou.

No entender do também jurista, Sebastião Vinte Cinco na fase “o discurso eleitoral deve ser tão contido ao ponto de não encerrar crimes de difamação, injúria ou calúnia”, mas faz notar que não se pode esperar que algum político “mande rosas para o seu adversário”.

Para aquele analista, o discurso forte passa, às vezes, por desvalorizar alguma coisa que tenha sido mal feita por outra força política ou valorizar aquilo que foi feito pelo partido que está atrás do eleitorado sem que isso constitua necessariamente crime”.

VOA