Economia

BNA injectou mais 40,3 mil milhões Kz em circulação na economia

armandomaquengo
Out 03, 2022

A quantidade de moeda em circulação na economia aumentou 6,8% em Agosto de 2022, comparado a Julho do mesmo ano, concluiu o Mercado com base nos dados divulgados, recentemente, pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Em Julho deste ano, de acordo com os dados do Banco Central, circulavam na economia pelo menos 597,5 mil milhões Kz. No mês de Agosto passou a circular 637,8 mil milhões Kz, mais 40,3 mil milhões kz em relação ao mês anterior, que representa o aumento de 6,8%.

Em termos homólogos a moeda em circulação cresceu 26,9%, ou seja, em Agosto do corrente ano o BNA injectou mais 135 mil milhões Kz em relação ao mesmo período do ano passado.

Ainda em Agosto, como ilustram os dados do BNA, a base monetária registou uma variação mensal negativa de 0,6% (-12,5 mil milhões Kz) ao cifrar-se em 2,22 contra os 2,23 biliões Kz de Julho.

De acordo com o economista Daniel Sapateiro, os dados de aumento da quantidade de papel-moeda na economia real de mais de 600 mil milhões Kz (1,5 mil milhões USD, ao câmbio actual), com a decisão global do Comité de Política Monetária (CPM) do BNA que baixa a taxa de juro directora de 20 para 19,5% e a taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 23 para 21%, vem revelar a certeza de que o BNA pretende estimular o consumo e o investimento.

“As pessoas e as empresas com acesso a dinheiro (vivo) e o seu custo nos bancos por via do crédito vão consumir mais bens de curto e médio alcance, mas também vão poder adquirir divisas para as necessidades de importação”, justificou.

A questão que se coloca, ainda segundo Daniel Sapateiro, é se estas medidas de estímulo vão ajudar no cumprimento da meta do BNA de chegar aos 18% de inflação em 2022.

Se pensarmos em inflação acumulada, continuou, que a 31 de Agosto de 2022 estava em 10,21%, em base comparativa e no mesmo período, Angola atingiu os 19,78%.

“Se no primeiro indicador a meta abaixo dos 18% for atingida e superada, ficando entre os 14 e os 15%, num racional de comparação de 2022 vs 2021, o objectivo não será cumprido, pois temos dois meses para baixar até os 16/17% de inflação homóloga, para que em Novembro e Dezembro seja possível ter um campo de manobra para o aumento natural dos preços dos bens por via do incremento de massa monetária na economia com a liquidação do subsídio de Natal e outros benefícios que as empresas pagam no final do ano”, apontou.

Na qualidade de economista e estudioso de macroeconomia, Daniel Sapateiro considera que o BNA deveria manter a estratégia de contenção da política monetária (fluxo de massa monetária) e contribuir para a redução do nível de preços. Segundo explica, havendo uma redução consistente dos preços e/ou desinflação (menor aumento do nível de preços face a períodos anteriores), com controlo do dinheiro em circulação, poderá ter-se um cenário em que o BNA possa intervir no mercado como fez na última decisão do CPM, a 26 de Setembro.

Ainda segundo o economista, a taxa de câmbio tenderá a cair face às congéneres moedas, como o dólar dos Estados Unidos (USD), o euro e o Rand, porque vai haver mais pressão sobre as importações por via do consumo das famílias, empresas não financeiras e do investimento privado em capital fixo (máquinas, equipamentos e do próprio Estado).

“Se, actualmente e em quase dois anos, a taxa de câmbio tem sido estável em torno dos 425 e 430 Kz para 1 USD, poderemos ter outra realidade de ultrapassarmos os 450 Kz para 1 USD, e este factor somado à inflação importada dos países que convivem com altas taxas de inflação na Europa e nos Estados Unidos, será outro item a concorrer para o aumento generalizado dos preços em Angola”, concluiu.

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