Economia

BNA retira licença a banco fundado por Tchizé dos Santos e Coréon Dú

manuelsumbo
Out 03, 2022

O Banco Nacional de Angola (BNA) retirou, na última sexta-feira, a licença ao Banco Prestígio SA, que tem como acionistas os filhos do antigo Presidente de Angola, Tchizé dos Santos e José Paulino dos Santos (Coréon Dú), por violações dos requisitos de prudência. 

Através de um comunicado, o Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou a “revogação da licença do Banco Prestígio, S.A., com fundamento na reiterada violação de requisitos prudenciais, nomeadamente, manutenção dos fundos próprios regulamentares e rácios de fundos próprios abaixo do mínimo legal, ineficácia na implementação das medidas de intervenção corretiva determinadas pelo Banco Nacional de Angola, a indisponibilidade acionista e a inexistência de soluções credíveis para a recapitalização do banco”.

Por meio de um vídeo publicado na sua rede social Instagram, Tchizé dos Santos afirmou que, o BNA revogou a licença porque houve acionistas que não conseguiram acompanhar o último aumento de capital esperado. “Há pessoas para pôr o dinheiro”, garantiu a empresária. Só que, acredita, o BNA pretende usar a licença para passá-la a terceiros: “o que eles querem é dar a licença a outras pessoas”.

“Com a decisão de revogação da licença do Banco Prestígio, S.A., ficam salvaguardados os interesses dos depositantes, no âmbito do sistema de garantia de depósitos”, assegura o BNA no comunicado.

Além desta revogação, o Banco Nacional de Angola determinou também levantar a suspensão que tinha imposto ao Finibanco Angola, que pertence ao grupo português Montepio, de participação no mercado cambial.

Esta suspensão era uma medida preventiva no âmbito de um processo de contraordenação por dúvidas sobre os procedimentos seguidos no banco relativamente a impedir a entrada de dinheiro ilícito no sistema financeiro. O levantamento dá-se porque “foram cumpridas na generalidade, as orientações do Banco Nacional de Angola, relativas às políticas e aos procedimentos de verificação e controlo das operações cambiais”.

Trata-se de um dos bancos que pertenciam ao Estado e que foi privatizado para o grupo empresarial Carrinho, mas a autoridade bancária não está satisfeita. Deu-se a “aplicação de medidas de intervenção corretiva ao Banco de Comércio e Indústria, S.A. por insuficiência de fundos próprios regulamentares e rácio de fundos próprios abaixo do mínimo regulamentar, de que resulta a obrigação de apresentar ao Banco Nacional de Angola, em 30 dias, um plano de recapitalização e reestruturação”.

Antes disto, já o Banco Económico foi alvo de uma reestruturação, com perdas para os actuais acionistas (como o Novo Banco), mas ainda se aguarda a confirmação