Economia

Executivo diz que alienações em Bolsa valorizam PROPRIV

armandomaquengo
Jun 10, 2022

A alienação de participações do Estado em Bolsa cumpre os objectivos pelos quais o Programa de Privatizações (PROPRIV) foi concebido, considerou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, quinta-feira, em Luanda, no acto de lançamento da negociação das acções do BAI na BODIVA, onde foi anunciada a iminente cotação de dois outros importantes operadores do sistema bancário.

“O país conseguiu demonstrar que a privatização em bolsa de participações sociais detidas pelo Estado cumpre com os objectivos pelos quais o Programa de Privatização (PROPRIV) foi concebido”, afirmou Manuel Nunes Júnior, numa declaração que deixa subjacente a avaliação institucional da OPV em que o Estado vendeu a participação de 10 por cento no BAI equivalente a 94 milhões de dólares.

Neste âmbito, destacou o titular da pasta da Coordenação Económica, o Executivo pretende ainda este ano continuar com o processo de implementação do PROPRIV, com a alienação em bolsa de participações sociais detidas pelo Estado, com outras empresas de referência nacional como a TV Cabo Angola, Sonangalp, BODIVA e o Banco Caixa Geral Totta de Angola.

Dos 132 activos que se previam privatizar até final de 2022, está adjudicado já um total de 86, incluindo os activos do Banco BAI, uma operação que realçou ter ocorrido num ambiente de grande concorrência e em que o encaixe anima o prosseguimento da alienação de activos em bolsa.

Entre os activos adjudicados, lembrou, incluem-se empreendimentos agrícolas,  fundamentalmente fazendas, activos imobiliários detidos pela Sonangol, unidades industriais implantadas na Zona Económica Especial de Luanda-Bengo, cervejeiras, unidades têxteis e outras do sector da agro-indústria.

Manuel Nunes Júnior chamou a atenção para o facto de a privatização em bolsa “contribuir para uma melhor redistribuição do rendimento nacional e possibilitar uma ampla participação na titularidade do capital social das empresas e referência, através , da adequada dispersão do seu capital, dando particular atenção aos pequenos subscritores”.

Novas listagens

A secundar estas afirmações, os presidentes do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e da Comissão Executiva da Bolsa da Dívida e Valores de Angola (BODIVA), Patrício Vilar e Walter Pacheco, respectivamente, anunciaram o interesse de novas instituições em aderir a mercado bolsista angolano.

Patrício Vilar chegou a apontar os bancos Caixa Geral de Angola, onde o Estado detém uma participação de 25 por cento e o prospecto está em vias de ser publicado. O Atlântico e a petrolífera angolana de capitais privados SOMOIL também têm viabilizados processos de adesão à negociação no mercado da bolsa: “o processo para a adjudicação [da participação do Estado] no Banco Caixa Geral Angola está avançado e quase na fase final”, disse.

Na fase imediatamente a seguir, seguem-se os processos por enquanto mais lentos da distribuidora de combustíveis Sonangalp, bem como das estratégicas SONANGOL, TAAG e ENDIAMA, demorados por estarem em  reestruturação. “A realização do processo leva tempo: no caso do BAI, demorou dois anos”, frisou o presidente do Conselho de Administração do  IGAPE.

O presidente da Comissão Executiva da BODIVA, Walter Pacheco, declarou o potencial do mercado para acolher o universo dos 300 grandes contribuintes inscritos na Administração Geral Tributária, empresas em que, no processo de admissão, hoje, é mais colocada a questão da divulgação das contas do que da organização da Contabilidade.

Walter Pacheco também destacou a vocação da BODIVA para atrair capital estrangeiro, depois de, este ano, ter realizado uma transacção de 10 milhões de dólares com investidores externos e de ter o interesse acumulado de investidores para operações que  representam 600 milhões de dólares.

JA