Politica

Generais lembram o comandante-em-chefe e destacam suas decisões e desvios

armandomaquengo
Jul 09, 2022

A morte do antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos nesta sexta-feira, 8, continua a provocar reacções de todos os quadrantes em Angola e também no exterior.

A VOA ouviu generais das Forças Armadas Angolanas e da UNITA sobre como recordam o antigo Chefe de Estado.

O general na reserva da UNITA Abílio Kamalata Numa diz guardar algumas posições políticas manifestadas em encontros com José Eduardo dos Santos.

“De resto são lutas políticas que fomos travando ao longo do tempo, acho que teve altura suficiente para se colocar acima de si próprio como dirigente máximo do país e ultrapassar as querelas que fomos desenvolvendo”, considera Numa, concluindo que “a luta que travamos com o senhor Presidente não foi pequena, mas todavia olhamos para ele como o mais velho”.

O também general Manuel Mendes Carvalho Pacavira, “General Paca”, do MPLA, diz que integrou delegações de José Eduardo dos Santos, que era um “homem sociável, calmo” que “num momento descambou” e preferiu “andar com os bandidos, confiou muito nesses generais que vieram da guerrilha e apostou no cavalo errado”.

Por seu turno, o também general das Forças Armadas Angolanas Roberto Leal Monteiro “Ngongo” considera Santos o “grande comandante e, chefe” que no entanto não terá sido tanto valorizado, nomeadamente depois da vitória em Cuito Cuanavale numa cerimónia da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), em que se destacaram outras pessoas.

No entanto, “Ngongo” garante que “todas as indicações, todas as ordens, quem as dirigiu a partir de Angola, que foram tomadas e que levaram à vitória no Cuito Cuanavale à independência da Namíbia e ao fim do apartheid foi o comandante em chefe as Forças Armadas Angola, José Eduardo dos Santos”.

O também general Samuel Chiwal esteve muitas vezes com o antigo Presidente e disse que “como manos, africanos, sentimos a morte dele”.

Depois de 38 anos no poder, José Eduardo dos Santos, abandonou a Presidência e desde 2018 passou a viver em Barcelona, Espanha, onde se encontrava em tratamento.

Ele morreu nesta sexta-feira, 8, mas nem os médicos, nem a família se pronunciarem sobre as causas da morte.