Desporto

Jogadora brasileira denuncia assédio moral nos bastidores do Barcelona

manuelsumbo
Mar 30, 2022

A atleta está emprestada ao Levante, onde já apontou nove golos em 25 jogos

A atacante Giovana Queiroz, de 18 anos, publicou nesta terça-feira, uma carta aberta ao presidente do Barcelona em suas redes sociais. Na mensagem, a atleta da Seleção Brasileira denuncia episódios de assédio moral e psicológico cometidos por mais de uma pessoa dentro do clube.

“Não se pode tolerar a cultura machista de assédio a mulheres. A maioria dos agressores utiliza seu poder dentro das instituições para subjugar suas vítimas, incluindo as mais vulneráveis como mulheres menores de idade.

Giovana já havia feito uma denúncia formal dentro do clube, citando os responsáveis pelos abusos, mas decidiu publicar a carta como forma de estimular que outras mulheres denunciem situações como as vividas por ela.

A jogadora ainda é atleta do Barcelona, mas está emprestada ao clube espanhol Levante, onde marcou nove golos em 25 jogos na actual temporada.

Gio, como é conhecida, relata que sentia-se acolhida no clube até sua primeira convocação para o time principal do Brasil, em outubro de 2020.

“Primeiro recebi indicações de que jogar na Seleção Brasileira não seria o melhor para o meu futuro no clube, mas apesar do assédio insistente e desagradável não dei muita importância ao assunto”, explica. Nascida no Brasil, a jogadora viveu também nos Estados Unidos antes de ir para a Espanha e chegou a actuar na base das selecções brasileira e espanhola até decidir vestir a camisa amarela de forma definitiva.

Dentre as acusações da carta está um confinamento ilegal no começo de 2021, quando a médica do clube lhe impôs uma quarentena pouco usual. “Ao ser questionado, o departamento médico do clube respondeu: ‘seu caso é distinto e fomos autorizados a fazer um confinamento especial para você’. Eu fiquei indignada e perguntei: ‘Por que especial?’. O departamento não respondeu e evitou falar sobre o assunto.”

Segundo ela, autoridades sanitárias da  Catalunha confirmaram que a medida era excessiva. “O clube me prendeu em casa e me impediu de treinar e ter uma vida normal, estava devastada”, relembra a jogadora.

Depois de cumprir essa quarentena, Gio viajou para os Estados Unidos para se juntar à Seleção Brasileira “com pleno conhecimento do clube.” Mas, ao voltar, a brasileira foi acusada de indisciplina e afastada da equipa. Ao questionar a medida, ouviu de um director que mantinha-se irredutível e agressivo: “não se preocupe, cuidaremos bem de você.”

“Entrei em pânico e temi pelo meu futuro”, diz a jogadora na carta.

“Eu havia participado de campanha da Fundação Barça pela aprovação da Lei de Proteção a Menores contra a violência, mas ao mesmo tempo, dentro do clube, estava totalmente desprotegida”, relembra.

“O fatco de ser menor de idade não parecia ser um impedimento ou causar qualquer dilema a meu agressor”, revela a atleta. Na carta, ela explica que todas as provas foram apresentadas junto a sua denúncia para a direção do clube, “com os responsáveis devidamente identificados.”

Giovana isenta o Barcelona de responsabilidade directa pelo assédio sofrido, mas cobra que o clube “deve ser responsável por cuidar da integridade física, mental, psíquica e moral frente qualquer forma de violência.”

O Barcelona ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações de Giovana.