Jornalistas impedidos de cobrir julgamento de Carlos São Vicente
Jornalistas queixam-se de estarem a ser impedidos de aceder à sala de audiências no Tribunal da Comarca de Luanda, onde começou o julgamento do empresário Carlos São Vicente, indiciado dos crimes de peculato e fraude fiscal.
O começo do julgamento estava marcado para 26 de Janeiro, mas foi adiado para hoje. À entrada um oficial de justiça informou os jornalistas de que estes não deveriam captar imagens e nem áudio, apenas tomar notas.
Para os jornalistas presentes no tribunal, os argumentos do oficial de justiça, que alega orientações do juiz da causa, traduzem-se num impedimento, “uma vez que a audiência é pública”.
Leão Vital, jornalista da TV Zimbo, manifestou-se indignado com a situação, por considerar que as audiências de julgamento têm caráter público.
Mais de 15 jornalistas não acederam, até ao momento, à sala de julgamento onde já se encontra o arguido, familiares, defesa, oficiais de justiça e demais interessados.
As restrições aos jornalistas foram também condenadas pelo advogado Helder Chiuto, considerando tratar-se uma violação do direito à informação aos cidadãos.
O Sindicato Nacional dos Jornalistas Angolanos (SJA) por sua vez, condenou os impedimentos à cobertura jornalística do julgamento, considerando tratar-se de uma “arbitrariedade e obstrução à liberdade de imprensa”.
O julgamento de Carlos São Vicente, preso desde Setembro de 2020 sob acusação de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais, começou hoje na 3.ª Secção Criminal do Tribunal da Comarca de Luanda.
O empresário, casado com Irene Neto, filha do primeiro presidente angolano, António Agostinho Neto, está preso preventivamente desde Setembro de 2020 e é acusado de vários crimes, entre os quais fraude fiscal, envolvendo valores superiores a mil milhões de euros, peculato e branqueamento de capitais.
Fonte: Notícias ao Minuto