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Mais de 300 mil pessoas em Angola estão infectadas com VIH/Sida

joaquimjose
Nov 21, 2023

Angola tem 310.000 pessoas com VIH/Sida, entre as quais 35.000 crianças dos zero aos 14 anos, segundo dados da Direcção do Instituto Nacional de Luta Contra o Sida (INLS), apresentado esta segunda-feira, em Luanda.

Conforme o Jornal de Angola, durante a apresentação da situação epidemiológica a nível nacional e da abertura da Semana Internacional do Teste, que decorre até ao próximo dia 26, segundo os dados estatísticos, 190.000 mulheres têm VIH/Sida e, entre o primeiro semestre de 2022 a igual período do corrente ano, foram registadas 15.000 novas infecções e 13.000 mortes.

Em termos percentuais, 58% de pessoas vivendo com VIH (PVVIH) sabem do seu estado serológico e 49 por cento dos adultos beneficiam do tratamento com retrovirais, bem como 22 por cento de crianças. A taxa de transmissão vertical é de 15,5 por cento.

De acordo com a especialista em Saúde Pública Maria Francisco, “a situação epidemiológica no país não é tão crítica, se comparada com os anos anteriores, em que os números eram maiores”.

Maria Francisco deu a conhecer que durante o primeiro semestre do corrente ano foram efectuados mais de um milhão de testes de VIH, entre os quais 505.729 em mulheres gestantes.

Entre os testes efectuados em mulheres grávidas, acrescentou, foram registados 5.907 casos positivos de VIH/Sida.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Luta Contra o Sida (INLS), a taxa de prevalência do VIH em Angola é de 2,0 por cento. A província do Cunene apresenta a maior taxa, 6,1 por cento, seguida do Cuando Cubango com 5,5% e do Moxico com 4,0 por cento.

Estudos realizados entre 2015 e 2016 em trabalhadoras de sexo (TS), nas províncias de Luanda e Benguela, apontam que 10,5 por cento delas são seropositivas.

Em 2017, explicou, foi feito outro estudo que dá conta que a taxa de seropositividade entre trabalhadoras de sexo é de oito por cento, entre homens que fazem sexo com homens dois por cento e entre transgêneros nove por cento.

Segundo o estudo, quatro por cento dos camionistas de longo curso da rede rodoviária nacional testados em Luanda, Benguela, Huíla, Huambo e Lunda- Sul tiveram resultados positivos de VIH, 7% de sífilis e 12% de hepatite B.

De acordo com a especialista em Saúde Pública, deste a implementação da Estratégia Nacional de Combate ao VIH e outras doenças, o número de serviços de aconselhamento e testagem voluntária aumentou de 15 para 2.714 a nível nacional, enquanto os de tratamentos antirretroviral passaram de três para 889, em todo o país.

Ainda no quadro de combate ao VIH/Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, os serviços de Prevenção da Transmissão do VIH de Mãe para o Filho tiveram um aumento de três, em 2004, para 881, em 2022, totalmente integrados com os serviços de consulta pré-natal, nas 18 provinciais”.

De acordo com a especialista, a baixa cobertura do Tratamento Anti-retroviral, principalmente em crianças, e as altas taxas de abandono representam uns dos principais desafios no combate ao VIH/Sida no país.

O estigma e a discriminação, baixo conhecimento, pobreza, desigualdade de género e a falta de acolhimento de pacientes em unidades sanitárias são, também, algumas barreiras a se transpor para o aumento do diagnóstico e a melhoria da adesão ao tratamento.

O reduzido apoio financeiro, constrangimentos nos sistemas de informação da cadeia de abastecimento e a falta de comprometimento de técnicos e gestores em alguns municípios e províncias, acrescentou, fazem parte dos desafios a serem ultrapassados.

Entre os constrangimentos no combate ao VIH/Sida Maria Francisco destacou o deficiente número de técnicos em unidades sanitárias, falhas nos sistemas de informação de dados programáticos, atraso na elaboração de relatórios, assim como a má conservação dos instrumentos em muitas unidades sanitárias do país.

A Semana Internacional do Teste, que decorre desde ontem até ao próximo dia 26, tem como objectivo principal reforçar a testagem comunitária do VIH, Hepatite B e sífilis em grupos mais vulneráveis, bem como promover medidas preventivas, a nível da província de Luanda.

A campanha, que está a ser implementada pela organização Mwenho e parceiros, como Angobefa, IRIS e a Associação de Direito da Mulher e Luta pela Vida, vai permitir a realização de testes rápidos, gratuitos, nos municípios de Luanda e Viana.

Esta é a segunda vez que se regista no país a Semana Internacional do Teste, que este ano tem como lema “Deixem que as comunidades liderem”.

A iniciativa visa conscientizar as pessoas sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis, aumentar a testagem precoce, reforçar a adesão ao tratamento e empoderar as pessoas e comunidades para reduzir o impacto do estigma e da discriminação às pessoas que vivem com o VIH, hepatites virais e outras doenças sexualmente transmissíveis.