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Mali: Governo acusa forças francesas de violação de espaço aéreo e espionagem

joaquimjose
Abr 27, 2022

O governo maliano de transição denunciou terça-feira, 26, à noite, mais de 50 casos deliberados de violação do seu espaço aéreo e espionagem por aeronaves estrangeiras e drones das forças armadas francesas, indicou o ministro da Administração Territorial e porta-voz do governo de Descentralização, coronel Abdoulaye Maiga, num comunicado distribuído à Agência Anadolu.

Segundo a mesma fonte, o aumento do poder das Forças Armadas do Mali (FAMa) reflecte-se em particular nas vitórias retumbantes contra nossos inimigos, bem como no controlo cada vez mais eficaz do território nacional e do espaço aéreo.

Acrescentou que “desde o início da Operação ”Keletigui”, foi estabelecida uma zona de interdição temporária em parte do território nacional com o objectivo de garantir o espaço aéreo, proteger os corredores de evolução de aeronaves autorizadas e garantir a liberdade de acção nas operações”.

O governo registou, desde o início do ano, mais de 50 casos deliberados de violação do espaço aéreo maliano por aeronaves estrangeiras, sob várias formas, incluindo a recusa em cumprir as instruções dos serviços de controlo de tráfego aéreo, falsificação de documentos de voo, entre outros.

Junta-se a isso, disse, “os voos de aeronaves de inteligência e drones operando em altitude elevada para realizar actividades consideradas como espionagem, intimidação ou mesmo subversão”.

O documento expressa ainda que “um dos casos mais recentes foi a presença ilegal de um drone das forças francesas, em 20 de Abril de 2022, sobre a base de Gossi, cujo controlo foi transferido para as FAMa, em 19 de Abril de 2022”.

Para além da espionagem, sublinha o governo, “as forças francesas foram culpadas de subversão ao publicarem imagens falsas para acusar as ‘FAMa’ de serem as autoras da morte de civis, com o objectivo de manchar a imagem do Mali Forças Armadas comprometidas com a libertação do território, a protecção e a salvaguarda das populações testadas por uma longa crise”.

O governo recorda ainda que “em 21 de Abril de 2022, uma patrulha Mirage 2000 sobrevoou várias vezes, sem coordenação prévia, o comboio da ‘FAMa’ partindo para reforçar o sistema de controlo Gossi.

“Diante desta enésima provocação das forças francesas, que foram condenadas a deixar o território maliano sem demora, desde 18 de Fevereiro de 2022, o governo do Mali, ao mesmo tempo em que convoca a opinião nacional e internacional, condena veementemente esta atitude de as autoridades francesas e convida-as uma vez mais a respeitar a soberania do Mali”, lê-se no documento.

Recorde-se que, na sequência da expulsão do embaixador francês em Bamako no final de Janeiro, as autoridades malianas apelaram ao exército francês para que abandonasse sem demora o território maliano. O recurso foi rejeitado por Paris.