Saúde

Médicos em Angola começam hoje as cirurgias aos lábios leporinos

armandomaquengo
Set 19, 2022

Entre dez a 15 crianças com lábios leporinos e fenda do palato começam a ser operadas hoje, no Hospital Pediátrico David Bernardino, em Luanda, informou, neste domingo, 18 de setembro, o cirurgião maxilo-facial, Agnelo Lucamba.

O coordenador da campanha cirúrgica aos lábios leporinos, segundo o JA, disse que a idade das crianças, num total de 150, varia dos seis meses aos 12 anos e todas foram consultadas e cadastradas no hospital Josina Machel. “É a faixa etária que mais compareceu nas consultas externas em busca de tratamento”.

Agnelo Lucamba explicou que, hoje, os médicos pretendem operar 10 a 15 crianças. “A prioridade são os menores em idade escolar. É uma forma de evitar que sejam insultados pelos colegas”.

Nos dias subsequentes, adiantou, o número de crianças a serem operadas vai depender muito da agenda de cirurgias dos profissionais envolvidos na campanha. A meta, contou, é fazer as cirurgias em até duas semanas, pois o projecto encerra no dia 30 de Setembro.

O especialista disse que apesar de estarem cadastradas 150 crianças para a operação cirúrgica, a campanha está aberta, também, a outras crianças que surgirem antes do encerramento do projecto.

O projecto, sublinhou, é o resultado de uma parceria entre o hospital Josina Machel e a Pediatria de Luanda.  “Por isso todas as cirurgias vão ser realizadas no bloco operatório do Hospital Pediátrico David Bernardino, a unidade especifica para o atendimento das crianças”. A campanha de cirurgia aos lábios leporinos e fenda do palato, esclareceu, já existe há um ano e, até ao momento, já permitiu operar mais de 200 crianças, oriundas de várias províncias do país.

“Além das crianças, a campanha já beneficiou também 30 adultos, com idades compreendidas entre os 19 e 50 anos”, destacou.

Bandeira do hospital

O coordenador da campanha sublinhou que é pretensão da direcção do Hospital Josina Machel, em parceria com a Pediatria de Luanda, tornar este projecto a bandeira da instituição.

Para o médico, a iniciativa serve, ainda, para sensibilizar a população que pode recorrer, com confiança, ao hospital, sempre que tiverem uma criança com lábio leporino e fenda do palato. “Toda a operação é feita a custo zero”, informou.

Antes, acrescentou, o Esta-do angolano gastava muito dinheiro enviando estas crianças ao exterior, para serem operadas. “Hoje, com os especialistas em maxilo-facial que o país tem, já é possível realizar estas cirurgias localmente, com muita qualidade e a custo zero”.

A cirurgia, disse, é rápida e dura 45 minutos ou uma hora. “O portador pode receber alta médica horas após a cirurgia, ou no dia seguinte”.

O atendimento das crianças com lábios leporinos, aclarou, não termina apenas com a cirurgia. “Deve existir a posterior, um trabalho multidisciplinar, envolvendo especialistas em fonoaudiologia (especialista da fala), estomatologistas, otorrino e psicólogos, para que a criança tenha um melhor desenvolvimento, apesar de ter nascido com esta mal formação congénita”.

Devido a mal formação dos lábios e da fenda do palato, explicou, as pessoas com esta deficiência falam de forma anasaladas e têm problemas para deglutir os alimentos. “Por isso vão tendo vários problemas de estômago e outros têm de audição. Portanto, a intervenção de todos estes especialistas é fundamental”.

Importância das consultas pré-natais

Ocirugião maxilo-facial disse que a má formação congénita do lábio leporino pode ser, muitas vezes, evitada com o uso regular do pré-natal e uma alimentação saudável.

Agnelo Lucamba adiantou que os lábios leporinos são detectáveis durante as consultas periódicas e ecografias morfológicas. “Este tipo de exame permite saber as características do bebé. Por não o fazerem, muitas mães têm reações negativas após o parto, quando recebem o filho”.

As fendas lábio-palatinas, realçou, ocorrem, por média, de um a dois casos, em cada mil nascimentos nos países subdesenvolvidos. “Já nos países mais desenvolvidos o numero de crianças com estes problemas é maior.

A fenda do labial é duas vezes mais frequente no sexo masculino, enquanto a fenda palatina, sem fenda labial, é mais comum no sexo feminino.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013, está má-formação congénita foi responsável por 3.000 mortes em todo o mundo.