Politica

MPLA admite que ainda há gestores que mexem no erário público

manuelsumbo
Abr 05, 2022

O líder do partido no poder, João Lourenço, admitiu hoje na província do Cunene, que ainda há gestores públicos que mexem no erário, mas “não com tanto descaramento, com tanta falta de medo, como era no passado”.

João Lourenço discursava hoje no Cunene, sul do país, onde se encontra desde domingo em visita de trabalho, que incluiu o lançamento da pré-campanha eleitoral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que sustenta o Governo desde 1975.

De acordo com o Presidente, nos cinco anos do seu mandato que agora terminam, foi feita “uma viragem radical no que diz respeito à gestão da coisa pública”.

“Não estou a dizer que não há gestores que mexem no erário público, não estaria a dizer a verdade se fizesse essa afirmação, temos de assumir que ainda há gestores que mexem no erário público, mas não com tanto descaramento, com tanta falta de medo, como era feito no passado”, referiu, numa intervenção de 50 minutos.

O líder do MPLA frisou que os gestores têm hoje mais cuidado, por saberem que “se forem apanhados não haverá impunidade”.

“O grande mal do passado, não era só haver corrupção, haver roubo, porque às vezes quando a gente utiliza a expressão corrupção acaba por ser uma palavra bonita e como o ato em si não é bonito, temos de chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome, corrupção é roubo”, afirmou, sublinhando que mais grave do que haver corrupção “era a impunidade”.

“Ninguém fazia nada, o que acabava por encorajar outros a fazerem o mesmo. Neste mandato, demos passos importantes na luta contra a corrupção”, frisou.

João Lourenço, que falava na qualidade de líder partidário, salientou que não se pode ainda manifestar satisfação total com os resultados alcançados, realçando que foram já recuperados muitos recursos, “mas não chega”.

“Precisamos de recuperar muito mais, mas sobretudo precisamos de criar mecanismos e criar a mentalidade dos nossos servidores públicos, de que o caminho certo não é o caminho da corrupção”, destacou.

De acordo com João Lourenço, com o dinheiro subtraído ilicitamente aos cofres do Estado no passado, várias infraestruturas poderiam ter sido criadas, exemplificando o sistema de abastecimento de água que inaugurou, esta segunda-feira, na localidade de Cafu, no Cunene, um investimento de mais de 130 milhões de dólares (118 milhões de euros), para combater a seca naquela região.

O líder do MPLA considerou absolutamente necessário combater a corrupção, tema que marcou o seu mandato iniciado em 2017, tendo destacado que a luta contra este fenómeno não é apenas levada a cabo por si, mas por todos os cidadãos.

Lusa