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Nacionalista Paulo Lara cremado no Porto

armandomaquengo
Mar 24, 2022

O embaixador de Angola em Portugal, Carlos Fonseca, participou, nesta quarta-feira, na cidade do Porto, nas exéquias e cremação do general Paulo Lara, falecido terça-feira vítima de doença, aos 65 anos, seguindo as cinzas sábado para Luanda, avançou o JA.

Acompanhado pela cônsul-geral de Angola no Porto, Isabel Godinho, e por membros do corpo diplomático angolano em Portugal, o chefe da Missão Diplomática de Angola em Portugal confortou a família do general Paulo Lara e assinou o livro de honra, onde recordou o percurso do malogrado nacionalista.

O general Paulo Pfluger Barreto Lara, envolveu-se de corpo e alma na causa do nacionalismo angolano ao lado do seu pai, o malogrado nacionalista Lúcio Lara, destacando-se também nos órgãos castrenses, onde iniciou carreira em 1972, na província de Cabinda.

Paulo Lara formou-se em Ciências Militares e Relações Internacionais, tendo se dedicado, também, à docência.

Salientar que, Pulo Lara (1956-2022) general da Forças Armadas Angolanas, era filho de Lúcio Lara, um dos dirigentes da luta de libertação de Angola e de Ruth Pflüger Lara. A infância foi passada com os pais no exílio, nomeadamente no Congo-Brazzaville, onde fez os estudos primários e secundários.

Desde cedo conviveu com guerrilheiros e militantes do MPLA no Congo e desde 1970 acompanhou o pai e outros combatentes a zonas da 2ª Região Militar (Cabinda) e da 3ª Região (leste de Angola). A partir de Abril de 1972 foi enquadrado nas forças guerrilheiras do MPLA, e teve os seus primeiros combates nas áreas de Sanga-Planície e ataque ao quartel português de Miconge (Cabinda).

No período 1974-1975, já em Luanda, participou na “Batalha de Luanda”, em Julho, contra a FNLA e nos combates antes e logo após a Independência.

Continuou a carreira militar, tendo feito formação especializada em Cuba (1975-1976) e na ex-União Soviética (1981-1985). Desempenhou diversos cargos na hierarquia militar, com acções no terreno de batalha mas também a nível de análise e estratégia e na reestruturação das Forças Armadas.

De 1989 a 1991, já Tenente-Coronel, foi Chefe Adjunto da Direcção de Operações do Estado-maior General. Após 1991, com o fim da guerra e do regime monopartidário, Paulo

Lara fez parte da Subcomissão militar das FAPLA para formação das Forças Armadas Angolanas. Com a patente de Tenente-General foi nomeado Chefe da Divisão de Operações do Estado-Maior General.

Com o retorno à guerra em 1992, veio a ser Chefe da Divisão de Planeamento e Organização do Estado-maior General e nos anos seguintes cumpriu várias missões, não só em Angola (“Operação Restauro”, “Operação Hexágono”, “Operação Triângulo”) como na RDC (Lubumbashy e Kinshasa) e na República do Congo (Brazzaville).

Promovido a General em 2003, optou por interromper a sua actividade militar para concluir o curso de Relações Internacionais.

Dedicou-se sobretudo à recolha de documentação e testemunhos sobre a luta pela independência de Angola, sendo co-fundador e um dos principais impulsionadores da Associação Tchiweka de Documentação (ATD).

Dirigiu o Projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência” da ATD, com a colaboração da produtora audiovisual Geração 80, e foi coprodutor do Documentário “Independência” (Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2016).

Participou em Conferências relacionadas com História da Luta de Libertação nomeadamente em Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Timor Leste e Portugal.

Nos últimos anos, investiu grande parte do seu tempo na criação do Portal da Associação Tchiweka de Documentação para consulta livre de documentos, fotografias, filmes e entrevistas sobre a Luta de Libertação Nacional (www.tchiweka.org).

Paulo Lara teve dois filhos, Tchiloia (1980) e Gika (1985) e vivia maritalmente desde 1990 com Cristina Pinto.