Economia

Negociações caem 14% mas três novos mercados dinamizam negócios em bolsa

armandomaquengo
Jul 25, 2022

O primeiro semestre de 2022 foi marcado por grandes transformações – uma nova dinâmica ao mercado de capitais angolano, que se destaca pela entrada em funcionamento de novos segmentos: o Mercado de Bolsa de Unidades de Participação (MBUP); o Mercado de Operações de Reporte (MOR) e o Mercado de Bolsa de Acções (MBA).

A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), segundo Mercado, movimentou pelo menos 490 mil milhões Kz nos primeiros seis meses deste ano, o que representa uma diminuição de 14% face ao mesmo período de 2021, cujo movimento foi de 567 mil milhões Kz, segundo cálculos do Mercado com base no relatório mensal da instituição.

Do montante custodiado na BODIVA, 375,72 mil milhões Kz foram em Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis (OT-NR), 31,81 mil milhões em Obrigações do Tesouro Indexadas ao dólar norte-americano (OT-TX) e 2,3 mil milhões kz em Bilhetes do Tesouro (BTs).

O mês de Maio foi o que registou maior volume nas negociações, cerca de 139 mil milhões Kz transaccionados, ao passo que Fevereiro registou o menor valor transaccionado e, igualmente, o menor número de negócios efectuados 35,25 mil milhões kz e 270 respectivamente.

No primeiro mês do ano as transacções fixaram-se nos 122,13 mil milhões Kz. O mês seguinte (Fevereiro) registou uma queda na ordem dos 71% comparativamente ao mês de Janeiro.

Nos meses de Março e Abril as negociações rondaram a média dos 59 mil milhões kz, um ligeiro aumento para mais 24 mil milhões Kz face a Fevereiro. No total o número de negócios nestes dois períodos foi de 806, sendo que Abril registou o maior número, 491.

Ainda em Maio, observou-se uma variação exponencial de 132% em relação aos 60 mil milhões kz transaccionados em Abril. Em termos homólogos registou-se uma variação positiva na ordem dos 51%, saindo de 92,26 mil milhões para 122,13 mil milhões Kz.

No mês de Junho as negociações registaram uma redução de 47% face a Maio com o volume de negociações a fixar-se nos 73,88 mil milhões Kz. Já em termos homólogos registou uma diminuição na ordem de 30%, cujo movimento foi de 106,20 mil milhões kz em 2021.

Para o director de Gabinete de Estudos e Estratégia da CMC, Johny Soki, o que se verificou no I semestre deste ano é um comportamento normal nos mercados financeiros (um novo normal que a bolsa vai observar) durante muitos anos.

Johny Soki indicou que, o “instrumento pivô das negociações” sempre foram as OT-TX, representando em média uma quota acima dos 70% dos títulos negociados.

Segundo o especialista, actualmente em função da não emissão pelo estado destes instrumentos, o stock de OT-TX ronda cerca de 1,2 biliões Kz, sendo que, mais de 90% destes maturam até 2024. Apenas em 2022, cerca de 25% destes títulos poderão atingir a maturidade.

Acrescenta ainda que, com o arranque de novos segmentos (mercado de recompra e de acções) que têm estado a dinamizar as negociações em bolsa esta ligeira redução, poderá posicionar a média mensal acima dos 80 mil milhões/mês, dentro do intervalo aceitável e habitual.

Relativamente ao montante negociado por segmento de mercado verifica-se uma maior concentração dos negócios no Mercado de Bolsa de Títulos do Tesouro (MBTT) em detrimento Mercado de Registo de Operações sobre Valores Mobiliários (MROV), representando uma tendência de preferência dos investidores em efectuarem os negócios em ambientes multilaterais.