Cultura

Óscar Gil apela mais investimentos à produção cinematográfica

joaquimjose
Jul 26, 2022

O realizador Óscar Gil alertou, em Luanda, o Executivo a fazer mais investimentos nos audiovisuais, pela importância do cinema no contexto do desenvolvimento do país, adiantou hoje, o Jornal de Angola.

Neste processo, explicou, é necessário a participação dos realizadores e organizações interessadas em contribuir para o crescimento da indústria cinematográfica.

Os audiovisuais, realçou, constituem um poderoso veículo importante, longe do entretenimento, muito valioso, que se revela como uma fonte de conhecimento e um meio didáctico para apoiar na mudança de mentalidades e na construção da identidade.

O realizador, que foi o homenageado da segunda edição do Festival de Cinema, denominado “Cine Fest”, realizado de 19 a 24 deste mês, em Viana, disse, por outro lado, que o cinema é, também, uma forma de diplomacia e de divulgação do país e das suas potencialidades desde, obviamente, as culturais, minerais, turísticas, agrícolas, e Viana pode muito bem socorrer-se do cinema para divulgar o que tem de bom e melhor nessas esferas, em particular.

O contributo à promoção e desenvolvimento da sétima arte angolana, em particular, e da cultura, em geral, foi um dos grandes ganhos da presente edição do “Cine Fest”, de acordo com o homenageado deste ano.

De acordo com Jornal de Angola, Óscar Gil felicitou as produtoras SEDFILMES e a SADIBA, que em parceria com a Direcção Municipal do Turismo e Cultura de Viana, realizaram o Festival de Cinema, no município de Viana.

Segundo o cineasta, o festival permitiu a centenas de espectadores ter contacto com a produção cinematográfica nacional, tendo considerado de uma iniciativa meritória, pelo contributo à promoção do cinema nacional.

Para Óscar Gil, é motivador e gratificante “quando o nosso trabalho artístico é visto e apreciado por uma diversidade de pessoas dedicadas ao cinema”. Na sua visão, a segunda edição da “Cine Fest”, na qual foi o homenageado, constitui um incentivo para continuar a trabalhar e a lutar por projectos. “Junto a minha voz a todos quantos lutam pelo desenvolvimento da cultura angolana”, afirmou o cineasta, acrescentando que “eu e outros colegas de profissão percorremos o país registando acontecimentos, entre os quais destaco a histórica invasão sul-africana, nas províncias do Sul de Angola”.

Depois de alguns anos e munido da experiência adquirida, disse, teve a oportunidade de trabalhar em Portugal com profissionais renomados como Nicolau Breyner e o realizador brasileiro Avancini. “Foi nesta época que solidifiquei o gosto pela imagem e pela técnica cinematográfica. Foi uma fase de grande crescimento profissional, sobretudo no domínio do cinema documental e da ficção”, destacou.

De regresso ao país, lembrou, estava dotado de um manancial de conhecimentos bastante válidos. Com essas valências, disse, permitiu-lhe criar a “Óscar Gil Produções”, uma produtora que desde 1999, tem intervindo nas diversas vertentes do cinema e do audiovisual, na produção de ficção, documentários e publicidades, recorrendo à técnica e tecnologia actualizadas.

Ao longo desse percurso, adiantou, o reconhecimento das produções resultou em muitos benefícios, com destaque para as inúmeras distinções. Óscar Gil lamentou o estado actual do audiovisual no país. “Apesar das dificuldades económicas que o país vive, é possível produzirmos filmes de reduzido orçamento, recorrendo a uma linguagem cinematográfica simples e linear”.

Óscar Gil já foi distinguido com o prémio de carreira no Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC-Luanda), outorgado pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente. O Prémio Nacional da Cultura e Artes (PNCA), pela realização da mini-série “Caminhos Cruzados”, o Prémio “Africa is More”, pela participação no exterior, como operador de câmara, em telenovelas portuguesas, e várias distinções pela União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).