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Polícia Nacional desmente existência de grupos de raptores de crianças

armandomaquengo
Jul 24, 2023

O comando da Polícia Nacional em Cabinda desmentiu, em conferência de imprensa, a existência, na província, de grupos que raptam crianças, para a comercialização de órgãos, como tem sido divulgado em rumores nas redes sociais.

O porta-voz da instituição, segundo o JA, disse neste domingo, 23, que após várias investigações não há fundamento nos rumores de existirem na província casos de tráfico de seres humanos, nem tão pouco grupos de sequestradores de crianças, ou mesmo de adolescentes, com objectivo de extrair os órgãos para fins comerciais.

O superintendente chefe Adão Kuanga Maimbi aproveitou a ocasião para apelar a população a manter-se calma, tranquila e vigilante face à disseminação de informações falsas nas redes sociais, que incitam algum clima de pânico social e sentimento de insegurança pública.

“Depois de um imenso trabalho operativo para se aferir a veracidade de tais factos, ficou apurado que se tratou de um falso alarme”, disse, acrescentando que a situação de segurança pública na província é calma e está controlada pelas forças da Ordem Pública.

Nenhum registo

O secretário Provincial da Saúde, Rúben de Fátima Buco, negou os rumores de supostos pacientes que deram entrada em vários hospitais de Cabinda com órgão extraídos, fruto da acção de supostos delinquentes congoleses. “A extracção de um órgão no corpo humano, requer um conjunto de logística que não seria possível nos termos mostrados nas redes sociais”, esclareceu.

O superintendente de Investigação Criminal, Rodrigues Ambrósio, desmentiu igualmente tais rumores, reiterando não ter sido registado ao nível do SIC, “um cadáver com as características que os munícipes têm vindo a disseminar nas redes sociais”.

Os rumores que circulam na cidade de Cabinda sobre a existência de um suposto grupo de delinquentes, altamente perigosos, provenientes do Congo Democrático, com objectivo de raptar crianças ou adolescentes, para extrair órgãos humanos, são, para Rodrigues Ambrósio, situações capazes de causar transtornos de ansiedade bem como prejudicar a vida no contexto social e profissional das pessoas.

O procurador Jorge Sumbo, representante do Ministério Público, reiterou, igualmente, que não existem na província casos de tráficos de órgãos humanos, mas alertou, no entanto, que caso haja casos do género sejam denunciados no Serviço de Investigação Criminal.

O magistrado do Ministério Público aconselhou a população a manter-se igualmente calma e a ter confiança nos órgãos policiais e judiciais e abster-se de todos actos que visam semear confusão e perturbação social, por constituírem, reforçou, motivo de penalização criminal grave.

Rumores

A província de Cabinda tem vivido nos últimos dias momentos particularmente tumultuosos, causados por rumores, postos a circular nas redes sociais sobre a existência de um suposto grupo de indivíduos que têm raptado, preferencialmente crianças e adolescentes, para extrair os órgãos, com fins comerciais.

A situação tornou-se insustentável, de tal modo que tem estado a gerar um enorme pânico e muito medo às pessoas, face aos boatos e vídeos que são disseminados regularmente nas redes sociais e na urbe.

Muitos habitantes da província estão a ser forçados a recolher-se muito cedo a casa, no intuito de se proteger das acções dos supostos traficantes de órgãos humanos, que, de acordo aos rumores, têm circulado em viaturas com vidros escuros, munidos de catanas e facas.