Politica

PR chega a Cabinda sob pressão de movimentos separatistas

manuelsumbo
Abr 21, 2022

O Presidente, João Lourenço, inicia nesta quinta-feira uma visita à província de Cabinda, onde ficará três dias, numa altura em que grupos independentistas da região anunciam intensificar confrontos que os opõem às tropas angolanas.

A visita do chefe de Estado à província mais a norte do país, também a mais rica em petróleo, chegou a ser planeada para agosto do ano passado, mas foi cancelada, sem serem divulgadas explicações.

O Presidente da República vai reunir-se com os responsáveis do governo provincial, para abordagem do estado geral do território, num encontro onde vão também participar vários ministros, para prestar esclarecimentos sobre o desempenho local dos respetivos sectores.

João Lourenço vai ainda inaugurar o Hospital Geral de Cabinda, em seguida poderá receber em audiência representantes da sociedade civil, nomeadamente figuras eclesiásticas, autoridades tradicionais, jovens e empresários.

Para a sexta-feira, o chefe de Estado inaugura o Terminal Marítimo de Passageiros, uma infraestrutura que vai permitir usar o transporte marítimo como alternativa aos voos para aceder ao enclave, e deve deslocar-se ao campo de Malongo (sede das operações da petrolífera norte-americana em Angola) para visitar a construção de uma plataforma petrolífera.

Já no sábado, João Lourenço, também presidente do MPLA preside a um comício antes de regressar a Luanda, tal como aconteceu no início de abril na província do Cunene, marcando o lançamento da pré-campanha eleitoral.

Desde a semana passada que a Frente para a Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) tem anunciado fortes combates com as Forças Armadas Angolanas, com dezenas de mortes.

O executivo angolano não confirma normalmente as baixas dos militares e recusa reconhecer uma situação de instabilidade naquela província, sublinhando sempre a unidade do território.

Na quarta-feira, cinco organizações políticas de Cabinda apelaram ao Presidente para que reconheça o direito do povo cabindense à autodeterminação, permitindo um cessar-fogo na região, onde dizem haver “um clima de repressão militar”, perseguições, tortura e assassínios.

Lusa