Economia

Produção petrolífera cai pelo terceiro mês consecutivo mas receitas ultrapassam os 7 mil milhões Kz em Outubro

armandomaquengo
Nov 28, 2022

Angola produziu 32,6 milhões de barris de petróleo em Outubro desde ano, o que representa uma queda de 0,5% face ao mês de Setembro e 5% em termos homólogos. Esta é a terceira queda consecutiva desde Agosto, segundo cálculos do Mercado com base nos dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

O País, segundo o Mercado, começou o ano a produzir 36,9 milhões de barris no mês de Janeiro, correspondendo a uma média de 1,13 milhões barris de petróleo por dia, foi o mês com maior produção. No mês seguinte a produção caiu para 32,3 milhões de barris, registada como a menor produção mensal até ao momento.

Em Março a produção cresceu 9% para 35,1 milhões barris, a uma média de 1,13 milhões barris por dia, contra 1,12 previstos, tendo atingido 36,5 milhões barris no mês de Julho. De lá para cá a produção vem caindo gradualmente.

Assim, nos primeiros 10 meses do ano, Angola produziu cerca de 349,3 barris de petróleo, numa média de 1,15 barris por dia. A quota de produção de Angola na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é de 1,5 milhões de barris de petróleo/dia, o que significa que o País continua a produzir abaixo do seu limite.

No início de Setembro, a OPEP e os seus aliados (o chamado grupo OPEP+) anunciaram um corte da produção em 100 mil barris por dia a partir de Outubro, o que foi um volume simbólico. Na reunião seguinte, a 5 de Outubro, decidiram cortar em dois milhões de barris por dia a produção de Novembro, a maior retirada de crude do mercado desde a pandemia em 2020. Igualmente, decidiram que as reuniões passariam a ser de dois em dois meses, em vez de mensalmente.

Produção deverá cair 20% até 2023, diz Fich

A produção de petróleo em Angola vai cair 20%, até 2031, devido à maturação dos poços petrolíferos e à “falta de investimento crónico” em novas descobertas, indica a análise da consultora Fitch Solutions numa nota de comentário sobre a manutenção da produção abaixo do limite definido pela OPEP.

Segundo a consultora norte-americana, a principal razão para o crescimento medíocre da produção petrolífera é o efeito do legado da maturação dos poços petrolíferos.

“A queda na produção dos poços actuais de Angola significa que é preciso uma taxa maior de crescimento [da produção] para mantê-la nos níveis actuais. Angola precisa de cerca de mais 36 mil barris por dia de produção para anular o impacto do declínio natural”, dizem os analistas da consultora.

Num comentário enviado aos clientes, citado pela Lusa, a Fitch Solutions escreve que “Angola tem assistido a uma pequena subida dos níveis de produção, com a entrada em funcionamento de vários pequenos projectos, mas preveem que a pequena subida de produção estagne, regressando a uma evolução negativa em 2023, com o efeito do declínio dos poços a materializar-se.

Os analistas descrevem que o novo limite para Angola, ao abrigo da produção total da OPEP, está muito acima das capacidades de produção e as taxas de crescimento anteriores indicam que há uma probabilidade muito baixa de Angola se aproximar dos limites da organização a curto prazo.

Receitas petrolíferas ultrapassam os 7 biliões Kz

As receitas fiscais do petróleo de Janeiro a Outubro deste ano fixaram-se nos 7,6 biliões Kz (cerca de 16 mil milhões USD), o que representa um aumento de 71% face aos 4,47 bilhões Kz contabilizados no mesmo período de 2021.

Os dados são referentes às declarações fiscais submetidas à Administração Geral Tributária (AGT) pelas Companhias Petrolíferas, incluindo a Concessionária Nacional ( ANPG-Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

Apesar do aumento, em Outubro as receitas caíram 26% para 574,3 mil milhões Kz quando comparado com o mês de Setembro mas cresceram 41% em termos homólogos.

De Janeiro a Outubro, o País exportou cerca de 351,8 milhões de barris de crude, a um preço médio de 102 USD, mais 43 USD acima dos 59 USD previsto no OGE.

Desde Agosto que as receitas com exportação de petróleo ultrapassaram as previstas no Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2022, onde se previa arrecadar 6,12 biliões Kz até Dezembro. Feitas contas, o País já conta com um excedente de 1,52 biliões Kz.

Em 2021, as receitas petrolíferas proporcionaram aos cofres públicos cerca de 6,05 biliões Kz (12, mil milhões USD), mais 2,06 bilhões Kz (419 mil milhões USD) em relação aos 4,06 bilhões de receitas previstas no Orçamento daquele ano.

Factores que dominaram o sector em Outubro

De acordo com o boletim mensal da PetroAngola, os preços do barril de petróleo aumentaram expressivamente em Outubro depois que a coalizão OPEP+ decidiu reduzir a produção em dois milhões de barris por dia, temendo uma potencial retracção na actividade económica global ao mesmo tempo em que procura manter as cotações do crude elevadas.

“Este representa o maior corte de produção do grupo desde 2020, quando os bloqueios contra a Covid-19 destruíram a demanda”, refere o documento da instituição.

A instituição liderada por Patrício Quingongo aponta como segundo factor que dominou o mercado em Outubro, a liberação das reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos previstas para terminarem em Outubro, foram adiadas para o mês de Novembro, numa tentativa de minimizar os impactos dos cortes de produção da OPEP+ sobre os preços do petróleo.

Segundo a consultora, a Casa Branca tomou a decisão em Março de liberar 1 milhão de barris por dia das reservas de petróleo do país para complementar o mercado que já se encontra com suprimentos escassos de energia.

“Embora a demanda chinesa por petróleo continue a sofrer devido à estratégia de zero Covid-19 daquele país, ela se recuperou até certo ponto nos últimos meses, à medida que os bloqueios se tornaram menos frequentes e as refinarias se preparam para aumentar as suas taxas de produção, no intuito de atender a procura doméstica crescente por produtos refinados”, aponta o documento como terceiro factor.

Outro factor que pesa sobre os preços do petróleo, segundo a PetroAngola, é o medo persistente de recessão que ainda domina o sentimento do mercado, tanto que as projecções económicas para este ano apontam para o esfriamento das principais economias.

“Os bancos centrais continuam a adoptar uma abordagem rígida na luta contra a escalada da taxa de inflação, além dos efeitos negativos da valorização do dólar americano sobre os preços de energia e consumidores que possuem outras moedas estrangeiras”,frisa a consultora angolana.

Nas últimas semanas, a negociação do petróleo nos mercados internacionais está a ser marcada por volatilidade, mas tudo aponta para que o balanço semanal seja de perdas, depois de se registarem perdas nas primeiras duas semanas de Novembro. Nesta sexta-feira, o Brent que serve de referência para as exportações angolanas está a ser negociado na casa dos 86 USD.