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Quase 1,6 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar grave no sul do País

manuelsumbo
Mai 05, 2022

Quase 1,6 milhões de pessoas no sul de Angola sofreram insegurança alimentar grave em 2021 devido à seca, a pior em 40 anos, revelo, esta quarta-feira, um relatório da ONU que prevê em 2022 o terceiro ano consecutivo de colheitas reduzidas.

De acordo com o relatório, publicado anualmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a União Europeia, no ano passado, 193 milhões de pessoas em 53 países estavam em situação de insegurança alimentar aguda, ou seja, precisavam de assistência urgente para sobreviver.

A classificação engloba os níveis entre 3 e 5 da escala internacional de segurança alimentar: crise, emergência e desastre.

Em Angola, os autores do relatório analisaram 17 municípios rurais de três províncias do sudoeste do país, Namibe, Huíla e Cunene, onde vive 9% da população angolana, de 32,1 milhões.

Em quatro dos municípios estudados — Cahama (Cunene), Gambos (Huíla), Camucuio (Namibe) e Virei (Namibe) — pelo menos 75% da população estava em situação de crise alimentar ou pior.

Os números pioraram entre 2020 e 2021, ano em que a pior seca em 40 anos e uma praga de gafanhotos reduziu a disponibilidade de alimentos pós colheita para um a três meses em alguns dos municípios.

O número de pessoas em crise ou pior aumentou de 1,3 milhões (49% da população analisada) na época das colheitas de junho–setembro de 2021 para 1,6 milhões na de outubro a março de 2022.

Segundo o relatório, as três províncias do sudoeste de Angola enfrentam uma crise de baixo peso nas crianças: 114 mil crianças com menos de 5 anos tinham baixo peso, 37 mil das quais de forma grave.

Os autores do relatório atribuem a crise a dois anos consecutivos de colheitas reduzidas após uma seca que o PAM considera a pior na região em 40 anos.

As quantidades cumulativas de precipitação sazonal nas províncias do Namibe, Cunene, Huíla e Cuanza Sul ficaram 60 a 80 abaixo da média, segundo a FAO, e os efeitos recorrentes da seca reduziram a produção agrícola e pecuária e contribuíram para o aumento dos preços dos alimentos.

A situação foi agravada por uma praga de gafanhotos que provocou danos nas culturas em Cuanhama, Namacunde, Ombandja e Curoca (Cunene), Virei e Mocamedes (Namibe) e Humpata (Huila), escrevem os investigadores.

Para 2022, as perspetivas indicam grande probabilidade de chuvas desfavoráveis, aumentando a probabilidade de uma terceira colheita reduzida consecutiva.

Os autores alertam ainda que os choques económicos, incluindo a covid-19, provocaram cinco anos consecutivos de recessão económica, o que afetou gravemente as oportunidades de geração de rendimentos das famílias.

Lusa