Politica

Ramiro Aleixo diz que trazer cadáver de JES no porão “uma carga normal” não honra sua figura e bandeira de Angola

armandomaquengo
Ago 22, 2022

Depois de mortos, claramente que não faz diferença se nos enterram na mata ou na cidade com pompa; se nus, ou trajando o fato mais vistoso ou caro; se somos transportados numa fusca escarrubatada ou numa limusine Mercedes último modelo, observou o jornalista angolano, Ramiro Aleixo, em relação à vinda do cadáver do ex-presidente José Eduardo dos Santos.


Por: Armando Maquengo

“Mas há questões que não passam despercebidas e que são elementares: se alguém se empenhou, de forma exagerada até, para ganhar essa questão de direito de posse sobre os restos mortais de outrem, há algum impedimento técnico ou outro perfeitamente justificável (sanitário por exemplo) que impediu, que a urna contendo o corpo do ex-presidente José Eduardo dos Santos fosse transportado, com a dignidade merecida, no interior do avião, onde os reclamantes, vencedores, viajam de regresso a Angola muito bem acomodados nas poltronas?”, questionou.

De acordo com Ramiro Aleixo, o reclamado, (justificado pelo seu elevado estatuto de ex-presidente) a quem se quer homenagear, pareceu que foi relegado para a pior parte do avião: a mais fria e menos expressiva: o porão do avião, como carga igual a qualquer outra, ou igual a qualquer outro (que não parece ser o caso), como carga não acompanhada, sujeita então aos mesmos procedimentos aduaneiros.

Segundo ainda com o jornalista, isso não honra nem a figura, nem a bandeira de Angola, utilizada para revestir a urna. “Se não havia qualquer impedimento técnico ou outro justificável, pôde-se considerar essa, apenas, como mais uma “falha” técnica e protocolar? Vou acreditar que sim, que se tratou apenas, e só, isso”.

Regresso de José Eduardo dos Santos vitória do ego e da hipocrisia com sabor a derrota

Mas, seja lá o que for, ressaltou, também neste caso, considero que ficou patente que quem ganhou não convenceu e não ganhou tudo, e que quem perdeu continua a ter o direito de lutar pelo que pode provar que é parte integrante de si.

“E termino como já deixei claro noutros pronunciamentos: triste papel o desempenhado pela ‘viúva alegre’ Ana Paula. Ela sabe que a vida não é o vale tudo, sob pena de, não tarda, receber uma factura pesada. E facilmente se percebe qual poderá ser a factura que lhe chegará. Não foi inteligente, se é que alguma vez soube o que é ser inteligente”, rematou.