Economia

Relatório do INE revela que custo dos produtores fixou-se em 32,9% no primeiro 1º de 2022

armandomaquengo
Jul 05, 2022

A redução dos custos dos produtores representa um sinal positivo, mas não constitui motivo para festejar já que não significa que baixou ao ponto de facilitar as exportações.

O custo dos produtores fixou-se em 32,9% no primeiro trimestre de 2022, que representa uma redução de 21,7 pontos percentuais (PP), face ao mesmo período de 2021, segundo cálculos do Mercado com base nos dados do Índice de Preços no Produtor (IPP), divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os dados do IPP indicam que o custo dos produtores no primeiro trimestre de 2021 foi de 54, 6%. A variação de preços, segundo o INE, é influenciada pela alteração de preços dos produtos e serviços da secção das indústrias extractivas com 34,9%, e indústrias transformadoras com 7,0%.

Ainda de acordo com o relatório, na secção das indústrias extractivas, as actividades que tiveram maior variação de preços neste período foram as de extracção de diamantes com 86,1%, seguida da de petróleo e gás 34,3%.

Para o coordenador do Centro de Investigação Económica e Social da Universidade Agostinho Neto (UAN), Fernandes Wanda, a redução dos custos dos produtores representa um sinal positivo, mas diz que não constitui motivo para festejar já que esta redução não significa que baixou ao ponto de facilitar as exportações.

O também economista e docente universitário acrescenta que a redução dos custos de produção tem que ver com o aumento de disponibilidade de divisas e o facto de o kwanza estar forte. Isto permitiu aumentar as importações de matérias-primas.

Para o economista Carlos Lumbo, deve-se olhar para o IPP como reflexo da soma dos custos de produção e das margens de lucro ao fim dos processos de produção.

O economista aponta a prolongada subida do preço do petróleo como factor que contribuiu para a redução dos custos dos produtores no primeiro trimestre de 2022, comparativamente ao mesmo período do ano passado, como faz referência o estudo apresentado pelo INE.

De acordo com Fernandes Wanda, esta redução significa que os custos de produção estão a baixar o que tem um impacto na competitividade da produção local.

“Esse impacto só se materializa caso produzir em Angola seja mais barato, do que naqueles países dos quais mais importamos (Portugal, China), que ainda não é o caso”.

Carlos Lumbo (economista) acredita que a redução do IPP irá repercutir no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de modo que este aumente cada vez menos, como se tem constatado pela queda das taxas mensais de inflação.

Fernandes Wanda e Carlos Lumbo concordam que a redução do IPP poderá reflectir no consumidor final.

Carlos Lumbo defende ainda que o impacto do IPP na vida dos consumidores é imediato, pois este indicador funciona como precursor das variações do IPC, nos casos de inflação pelo lado da oferta, como o que se verifica actualmente.

O responsável pelo Centro de Investigação Económica e Social da UAN acredita que a redução do IPP tem impacto nos consumidores finais, mas afirma que muitos produtores na ânsia de maximizar os lucros acabam por não repassar.

Em referência ao relatório, quanto ao tipo de bens, os produtos de energia foram os que tiveram maior variação homóloga com 33,6%, seguido dos bens de consumo com 7,4% e os bens intermédios 4,9%.

Quanto à actividade industrial, o relatório mostra que os preços registaram uma variação de 5,2%, no primeiro trimestre de 2022, em relação ao período homólogo, influenciada pela alteração de preços dos produtos e serviços da secção das indústrias extractivas com 5,4% e a secção das indústrias transformadoras com 1,6%.

Relativamente às categorias de bens, os produtos de energia foram os que tiveram maior variação com 5%, seguido dos bens de consumo com 1,1% e dos bens intermédios com 0,1%.

Observando as contribuições registadas na variação do trimestre em análise, a secção das indústrias extractivas foi a que mais contribuiu no aumento de preços, com 5,1 pp. Em termos homólogos, a secção das indústrias extractivas também foi a que mais contribuiu para o aumento de preços com 32,5 pp.

Quando analisado as contribuições por tipo de bens, os que mais contribuíram foram os produtos de energia com 31,5 pp, seguido dos bens de consumo e os bens intermédios com 0,2 pp cada.

O IPP mede a variação de preços médios de venda no produtor e a evolução ao longo do tempo, mostrando as tendências inflacionárias de curto prazo na economia.