Politica

UNITA no Huambo denuncia “perseguição” aos sobas

armandomaquengo
Nov 17, 2022

A secretária provincial da UNITA no Huambo, Navita Ngolo, denunciou, nesta quarta-feira, que os níveis de intolerância política naquela província se agudizaram de tal maneira que até as autoridades tradicionais estão a ser supostamente usadas para intimidarem as comunidades.

Em declaração a OPAIS, Navita Ngolo referiu que existem, sobretudo, na localidade de Catchiungo, sobas a serem supostamente perseguidos por administradores pelo facto destes terem participado da actividade política de massa realizada pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, na véspera das eleições gerais.

Segundo a responsável do “Galo Negro” naquela província, o administrador da comuna sede, depois de se aperceber que alguns sobas e regedores tinham participado da actividade da UNITA, mandou que os mesmos se despissem das suas fardas.

“Alguns sobas chegaram a entregar a farda, mas houve um que não queria entregar por entender que não era proibido ele ir à actividade da UNITA, já que participava em todas as actividades dos outros partidos políticos. Criou-se aqui uma organização de tal forma que os sobas e os reis estão controlados e são usados para intimidarem as comunidades”, denunciou, tendo acrescentado ainda que “aqueles que não se identificarem com o partido no poder serão destituídos”.

A dirigente política sublinhou que os actos de intolerância naquela província agravaram-se de tal maneira que, basta a UNITA anunciar que realizar uma actividade política, a confusão vai começa logo. “Até o famoso programa KWENDA, em algumas comunidades onde se conseguiu distribuir, são os sobas que indicavam quem é do MPLA e quem é da UNITA. Aquilo é para persuadir as pessoas a se identificarem com um determinado partido só para beneficiarem de um  pro- grama promovido pelas Nações Unidas”, lamentou,

A líder da UNITA deplorou ainda o facto do pro- grama KWENDA ter sido utilizado como bandeira de corrupção eleitoral.

“Aproveitam-se daquelas comunidades em que o nível de analfabetismo é bastante elevado, para manipular as populações através das autoridades tradicionais”, deplorou.

Dialogo com as entidades

Face a esta situação, Navita Ngolo fez saber que a UNITA procurou manter uma conversa com a governadora provincial do Huambo para que epi- sódios do género não voltassem a acontecer.

Navita defendeu a necessidade de haver responsabilidade e respeito pelas diferenças bem como um discurso congregador, de reconciliação e de paz, independentemente das convicções políticas de cada um.

“Nós continuamos a defender o diálogo permanente para uma verdadeira reconciliação nacional”.