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Vítimas de “contaminação dolosa” por VIH/SIDA incentivadas a fazerem queixa

manuelsumbo
Nov 23, 2022

O Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) incentivou esta terça-feira, as alegadas vítimas de contaminação intencional por VIH/SIDA a denunciarem os casos às autoridades, avançando que até agora, “ninguém ainda teve coragem” de o fazer.

Segundo a directora geral do INLS, Lúcia Furtado que falava à imprensa sobre o reaparecimento da contaminação dolosa em Angola,  que abordou o mesmo assunto, há duas semanas, com a Provedora de Justiça, disse não ter nenhum registo de queixas.

“Tive um encontro há duas semanas com a Provedora de Justiça que também nos relatou não ter recebido nenhuma queixa desta natureza e, então, encorajo as pessoas que têm esse tipo de problema a fazerem a queixa às autoridades para o devido tratamento”, referiu.

Lúcia Furtado deu conta igualmente que há dois anos que Angola não regista rotura de stock de antirretrovirais, assegurando que o país tem garantidos fármacos para as pessoas vivendo com o VIH/SIDA até março de 2023.

No workshop, que decorre em Luanda, o INLS apresentou as estimativas do quadro do VIH/SIDA em Angola, dando conta que 320.000 pessoas vivem com o VIH no país, destas 36.000 crianças dos zero aos 14 anos, 190.000 mulheres, 25.000 gestantes seropositivas, 17.000 novas infeções e 15.000 mortes relacionadas ao Sida.

Uma organização não-governamental angolana denunciou, em outubro passado, que pessoas com estabilidade financeira no país, entre membros do governo, deputados, empresários, polícias e militares, estão a “contaminar dolosamente muitas jovens” com o VIH/Sida, um fenómeno que “renasce” no país.

Segundo o presidente da Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida e Grandes Endemias (Anaso), organização não-governamental, António Coelho, o fenómeno da contaminação dolosa por VIH/Sida, “que já estava mais ou menos controlado, está de volta”.

“Portanto, as pessoas com alguma saúde financeira de todos os estratos da sociedade, entre membros do governo, deputados, empresários, polícias e militares, neste momento estão com esse comportamento que é a questão da contaminação dolosa”.

“De forma consciente, essas pessoas têm estado a utilizar as nossas jovens para passarem e disseminarem e epidemia e também temos que realizar um estudo para perceber que factores têm estado a contribuir para termos este fenómeno de volta”, apontou António Coelho.

O elevado índice de pobreza em Angola, a grande mobilidade da população e o início precoce da actividade sexual por parte das jovens dos 10 aos 14 anos envolvidas na prostituição, realçou António Coelho, estão igualmente entre os principais factores do aumento do VIH/Sida no país.

Lusa